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Maragojipe: Após ter família envenenada, Jeferson diz que o que acusada sente por ele nunca foi amor de mãe

No andar abaixo à construção inacabada onde moraria, a partir de dezembro, com a família, Jeferson folheia o álbum de casamento. Quando repetia o ritual quase diário, na última sexta-feira (19), cortou algumas fotos e seguiu para Delegacia de Maragojipe, no Recôncavo Baiano.

Lá, está presa Elisângela Almeida de Oliveira, principal suspeita da morte da esposa de Jeferson, Adriane Ribeiro, 23 anos, e das duas filhas do casal, Gleysse, 5, e Ruteh, 2 – todas por envenenamento.

“Joguei as fotos na cara dela. Hoje, tenho certeza que o amor que ela tinha por mim não era amor de mãe, era de paixão”, desabafa Jeferson Brandão, 29.

A estrada de pedra que leva ao limite da pequena Nagé, distrito de Maragogipe, no Recôncavo Baiano, é também o caminho para o maior mistério local. É na casa dos pais, à frente de um dos pontos de trabalho de marisqueiros, que o rapaz, cabisbaixo, tenta encontrar uma razão para o crime.

A resposta foi construída aos poucos, de memória em memória. Em todas elas está Elisângela, presa no dia 11 de outubro. A mulher aparecia nas fotos do casamento como a responsável pela festa de casamento, que se dispôs a pagar em nome do que chamava de um “amor de mãe” por Jeferson.

Na última semana, Elisângela deu entrevista a uma emissora de TV e insinuou que o rapaz poderia ser suspeito do crime. Ela disse na entrevista que Jeferson e Adriane brigavam com frequência e que ele batia nela. Jeferson, por sua vez, nega o crime e diz que quer justiça.

Igreja

A entrada de Elisângela na vida de Jeferson e de toda a família aconteceu há pouco mais de um ano. Jeferson e três amigos tinham ido a Conceição de Feira, no Centro-Norte da Bahia, onde a mulher morava com marido e dois filhos, para um evento da igreja. 

O jantar ocorreu justamente na casa daquela que, no futuro, passaria de sua protetora para sua maior inimiga. Rapidamente, os dois ficaram próximos.

O casamento de Jeferson com Adriane estava próximo e Elisângela se ofereceu para arcar com todas as despesas da cerimônia, no centro de eventos de Nagé, que custou quase R$ 15 mil. 

“Ela dizia que Deus tinha mandado ela para fazer o bem. E que ela sentia como se eu fosse filho dela. Como é que eu ia imaginar, a mulher da igreja, se aproxima de todo mundo, me ajudando em tudo?”, questiona Jeferson.

Nesse ponto, a mãe dele, Raimunda Nunes, 62, se aproxima da cadeira do filho e diz repetir o que Elisângela sempre dizia:

“Ela falava que Jefferson tinha saído daqui [aponta para a própria barriga], mas que tinha saído dela também e que era Deus quem estava dizendo”, lembra Raimunda.

A reportagem pergunta se, em nenhum momento, houve qualquer desconfiança sobre as ações da mulher. Jeferson nega. “Só sabe do que a gente tá falando quem viu ela aqui com a gente, moça. 

Ela parecia boa, só provava que realmente me tinha como um filho”, responde. “Ela falava que Jefferson tinha saído daqui [aponta para a própria barriga], mas que tinha saído dela também e que era Deus quem estava dizendo”, lembra Raimunda.

A reportagem pergunta se, em nenhum momento, houve qualquer desconfiança sobre as ações da mulher. Jeferson nega. “Só sabe do que a gente tá falando quem viu ela aqui com a gente, moça. Ela parecia boa, só provava que realmente me tinha como um filho”, responde. Com informações do Correio24hs.