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Após decisões do Banco Central, cadastro positivo já pode começar a funcionar; nova lei permitirá pessoas com nome sujo ter boas pontuações de crédito


O cadastro positivo começará a funcionar no país em janeiro, depois de o Banco Central aprovar, nesta sexta-feira, o registro de quatro empresas de informação de crédito na operação desse sistema. 

Agora, Serasa, Quod, Boa Vista e SPC poderão receber das instituições financeiras, como bancos, os dados de pagamento dos clientes, e então atribuir a eles uma uma nota de crédito, reconhecendo automaticamente os bons pagadores. 

Pessoas com nome sujo terão direito a crédito? Como saber


Se a dívida for um deslize, isso não deve afetar mais sua avaliação – atualmente, qualquer débito não honrado que enseje inclusão na certidão negativa já restringe o acesso a muitos serviços.

O cadastro positivo funciona como um banco de dados para “reconhecer” os consumidores que são bons pagadores. Com isso, as instituições financeiras terão acesso automático ao histórico de pagamentos e operações de crédito de qualquer pessoa para lhe atribuir pontuações, o chamado score.  

Agora, os bancos e outras instituições financeiras podem incluir o nome de consumidores nessa lista sem a necessidade de autorização prévia. 

Isso já acontece com o cadastro negativo – ou seja, a lista de inadimplentes. 

Para que serve?

O cadastro positivo serve como referência para varejistas e credores (bancos ou financeiras) identificarem quem são os bons pagadores que buscam crédito. De posse dessas informações, o objetivo é que eles consigam separar quem atrasa as contas de quem paga os boletos em dia e, assim, decidir para quem vão emprestar dinheiro. Quando o risco de calotes é mais baixo, eles podem cobrar juros menores do consumidor.


Então a participação no cadastro positivo agora é obrigatória?

Não. Quem não quiser fazer parte pode pedir para sair.

Quais os principais pontos do texto que foi aprovado?

Cadastro aberto: os gestores do banco de dados podem compartilhar as informações com empresas e bancos;

Nota de crédito: quem tem as contas em dia recebe uma pontuação.

Comunicação: quem for adicionado no cadastro deve ser comunicado da inclusão e dos canais disponíveis para sair do banco de dados em até 30 dias;

Saída do cadastro: cancelamento e reabertura do cadastro somente serão feitos com um pedido do próprio consumidor. O gestor do cadastro terá dois dias úteis para atender ao pedido;

Acesso aos dados: o consumidor poderá ver seu histórico e pontuação e pedir que informações erradas sejam corrigidas em até 10 dias;

Proteção de dados: o projeto determina que a quebra do sigilo bancário pode levar a prisão de um a quatro anos.

Quem é responsável por coletar as informações?

Empresas especializadas em análise de crédito, como Serasa, Boa Vista e SPC. Hoje, essas empresas compartilham as informações com varejistas, financeiras e bancos, que vão avaliar se concedem crédito e sob quais taxas de juros, de acordo com a capacidade de pagamento dos clientes.

O que é nota de crédito (score)?

O score serve para medir o risco do consumidor em não pagar uma dívida aos credores. Ela é dividida entre baixo, médio e alto risco de inadimplência, de acordo com o histórico de pagamento de cada consumidor. Quanto mais alta a nota, maiores as chances de obter crédito a um custo mais baixo. Os dados no cadastro positivo influenciarão esse score.

O que faz a nota de crédito subir ou cair?

Cada bureau de crédito (Serasa, SPC etc) pode estabelecer seus critérios para essa nota. De modo geral, quando o consumidor paga as contas em dia e tem menos de 30% de sua renda comprometida com empréstimos, o score sobe. 

Na outra direção, quem atrasa o pagamento de dívidas, está com o nome sujo e comprometeu boa parte de seus ganhos com crédito tem sua pontuação reduzida. Com informações do Portal G1.