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De Muritiba para o mundo: Edgard Abbehusen fala sobre lançamento do seu novo livro

Os primeiros passos da carreira do escritor baiano Edgard Abbehusen foram dados na internet, há três anos. Agora, o escritor, que tem 30 anos e é natural de Muritiba, no recôncavo, é considerado um fenômeno na internet.

Com mais de 600 mil seguidores no Instagram, ele tem textos, poemas, contos e crônicas compartilhados por artistas, entre eles, a cantora Marília Mendonça e a atriz Paolla Oliveira.

Há três anos, Edgard criou uma página para fazer uma pesquisa na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), onde cursava jornalismo. No perfil, intitulado “Fotocitando”, ele postava textos, crônicas, poemas e fotos.

Três meses após a criação da página, o perfil tinha 10 mil seguidores. Mas foi em 2017, que ele alcançou 40 mil seguidores em 30 minutos, após a cantora Marília Mendonça postar um texto criado por ele no Fotocitando.

“Achei que alguém tinha hackeado meu perfil quando vi os números subindo”, brincou.

Apesar das portas da literatura se abrirem para o jovem escritor através da internet, ele revela que é importante ultrapassar o mundo virtual para fortalecer a carreira de escritor.

“Preciso das redes para o trabalho, mas estou na fase de reclassificar minha carreira. Preciso melhorar e me reinventar. Se eu ficar preso a curtidas e a seguidores, eu vou morrer na praia”, destacou.

Foi pensando em não ficar somente na internet que Edgard aceitou os convites de uma editora para lançar dois livros. Nesta sexta-feira (10), ele lança a segunda obra da carreira: “O que tiver de ser, amar”.

A aproximação com a literatura, segundo contou, começou ainda na infância. Filho de um descendente de alemão e de uma baiana, Edgard destacou a importância da família e o papel da escola na escolha da profissão.

“Na escola, tive os primeiros contatos com a literatura e passei a ler livros. Além disso, Muritiba tem raízes fortes com a literatura. Castro Alves foi batizado na igreja matriz de Muritiba”, contou.

Pai aos 18 anos, Edgard conta que não estava nos planos dele ser escritor. Ele pensava em entrar na faculdade e ter uma profissão. Foi em 2011 que ingressou no curso de jornalismo, mas ainda não conquistou o diploma, devido à correria da vida de escritor.

“Todas vezes que eu ia para esse caminho [do jornalismo], alguma coisa dava errado. Burocracia para conciliar trabalho com estudos [por exemplo]”, contou.

Além de escrever, Abbehusen revelou que já está com gravações prontas para lançar um canal no Youtube. Ele também compôs canções junto ao músico Ramon Cruz, autor de hits como “Quando A Chuva Passar”, sucesso na voz de Ivete Sangalo, e “Bola de Sabão”, conhecida nacionalmente na interpretação de Claudia Leitte.

“Fizemos umas 10 músicas. É emocionante ver algo que você fez nascer. Sou estreante como compositor”, falou.

Carreira e literatura

“Entrei no momento certo”, destaca Abbehusen sobre o início da carreira na internet, em 2016. No ”Fotocitando”, Abbehusen escreveu crônicas e poemas.

O objetivo da página na internet, como ele havia dito, era para compor um estudo na universidade, entretanto a pesquisa não foi adiante. A professora precisou interromper o estudo por conta de um doutorado no exterior mas, ainda assim, ele preferiu seguir com as publicações sem qualquer pretensão de sucesso.

“Escrevo o que sinto, também sinto o que escrevo. Gosto do exercício de escrever todos os dias”, destacou.

Atualmente, ele conta com apoio de outros escritores parceiros para manter o perfil. Diante da correria para conciliar a vida pessoal com a carreira de escritor e demais projetos profissionais, as postagens autorais são feitas no perfil pessoal de Abbehusen.

O escritor acredita que conquistou os seguidores por expressar, através da literatura, os sentimentos pessoais e situações do dia a dia.

“Venho melhorando, mas tenho muito o que melhorar ainda. Esse caminho estou construindo. O recôncavo me deu essa base. Tenho orgulho de dizer que vim de Muritiba. Tenho cuidado de levar o nome da cidade de forma positiva”, contou.

Entre uma criação e outra, Abbehusen passou a escrever textos poéticos com nomes de pessoas, como se fosse a descrição de personalidade.

Diversos seguidores se identificaram e passaram a compartilhar esses textos nas redes sociais. Além da cantora Marília Mendonça, a atriz Paolla Oliveira foi uma das personalidades que postaram o texto do escritor.
Outro texto de Abbehusen, que exalta a lealdade nas relações humanas, foi compartilhado pelo ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, em fevereiro deste ano. Sem mencionar nomes, o político publicou o texto no momento em que ele enfrentava uma crise com o presidente Jair Bolsonaro.

“A lealdade constrói pontes indestrutíveis nas relações humanas. E repare: quando perdemos por ser leal, mantemos viva nossa honra”, dizia um trecho da mensagem.

Livros

Edgard Abbehusen disse que, com o sucesso do perfil no Instagram, onde ele postava os textos autorais, ele recebeu o convite de uma editora para que pudesse passar suas histórias para o mundo mais “físico” da literatura: o livro.

“Quando recebi o primeiro convite [da editora] estava assustado porque foi tudo muito rápido. Só me senti escritor com o primeiro livro, em 2017. Mesmo escrevendo todos os dias na internet”, destacou.

Segundo ele, o primeiro livro, intitulado “Quem tem como me amar não me perde em nada”, traz histórias pessoais e de amigos. Abbehusen enfatiza que a referência que ele tem de literatura é o recôncavo baiano.

Já a segunda obra, que será lançada agora, é uma coletânea de crônicas que “conversam” com a dinâmica do amor.

“São crônicas que sempre se misturam, com o eu lírico feminino, às vezes o eu lírico não tem gênero. Eu decidi viver disso. Gosto de escrever muito, gosto de contar histórias. “, contou. A ilustração da capa do novo livro é do artista baiano, também de Muritiba, Suzart.

“Suzart me convidou para fazermos a capa do livro, foi uma parceria de muritibanos. O livro ainda não tinha nome. Essa capa traz uma relação do fogo com o amor”, relatou.
Apesar do sucesso, Edgard fala da importância em poder ouvir as pessoas e ajudar os novos escritores.

“É maravilhoso ser convidado para eventos literários, ser reconhecido pelo público, mas também é importante manter os pés no chão, não ficar deslumbrado com os resultados. Eu tento tomar cuidado com o que falo, com as coisas que escrevo porque já tive medo de me dizer escritor e receber críticas de veteranos, que são bem rigorosos nas críticas”, revelou. Com informações do site G1.