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Bolsonaro posta vídeo de ato obsceno e o associa a blocos de Carnaval

Folha de SP - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) publicou nesta terça-feira (5) em sua conta oficial no Twitter um vídeo de uma cena que causou polêmica no Carnaval paulistano. Um homem aparece dançando sobre um ponto de táxi após introduzir o dedo no próprio ânus. Na sequência, surge outro rapaz que urina na cabeça do que dançava.

Em sua publicação, Bolsonaro diz que não se sente "confortável em mostrar", mas argumenta que tem "que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões [conclusões]".


Nos comentários à publicação do presidente, críticos do presidente e até mesmo alguns que se identificam como apoiadores dele têm lamentado a iniciativa de publicar o vídeo.

"O cara usa o Twitter para falar com as crianças que votam nele e posta um vídeo desses. JÁ DENUNCIEI. TwitterBrasil bloqueia logo a conta desse incapacitado!", diz um usuário.

Após a publicação do vídeo, Bolsonaro postou ou compartilhou conteúdo cinco vezes em um intervalo de pouco mais de uma hora. Todo o conteúdo posterior é corriqueiro, sem polêmicas.

O vídeo foi gravado na segunda-feira (4) em um bloco chamado Blocu, no centro de São Paulo. A repercussão da cena nas redes sociais iniciou antes mesmo do tuíte de Bolsonaro. A Folha conversou com várias pessoas que presenciaram a cena e que disseram que o ocorrido foi um momento isolado no evento.

Diversos usuários têm escrito que denunciarão o tuíte de Bolsonaro como conteúdo impróprio.

Nas regras do Twitter, que incluem a política de privacidade e os termos de serviço que os usuários têm que respeitar para usar a plataforma, há uma série de diretrizes sobre conteúdo adulto.

"Consideramos conteúdo adulto qualquer mídia que seja pornográfica ou destinada a causar excitação sexual. Alguns exemplos incluem, mas não estão limitados a representações de: nudez total ou parcial, incluindo closes dos órgãos genitais, nádegas ou seios; simulação de ato sexual; ou relação sexual ou qualquer outro ato sexual envolvendo seres humanos, representações de animais com características humanas, desenhos, hentai ou animes", dizem as regras do Twitter.

Mídias com conteúdo adulto devem ser marcadas como mídia sensível, o que não foi feito inicialmente no vídeo de Bolsonaro. 

Dessa forma, a depender do rigor da análise do Twitter, o presidente pode sofrer alguma punição, que pode variar desde a retirada do conteúdo do ar até a suspensão da conta, caso seja entendido que ele cometeu grave infração.

Cerca de duas horas após a publicação do vídeo foi colocada a marcação de mídia sensível, que funciona como um filtro prévio que requer que o usuário confirme que deseja ver o conteúdo.

A lei 1.079 da Constituição Federal, que dispõe sobre os crimes de responsabilidade, inclui entre os crimes contra a probidade na administração “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.