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    quinta-feira, 10 de agosto de 2017

    Por medo de violência no parto, mãe leva pistola para maternidade

    O processo de dar à luz o terceiro dos seus quatro filhos, em 2015, traumatizou a dona de casa Paula de Oliveira Pereira, de 28 anos. Moradora de Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo, a mulher ficou por mais de 14 horas em trabalho de parto e sem acompanhante, embora a legislação assegurasse a ela o direito de ter um, em um hospital público da capital paulista. A situação piorou. Paula pediu anestesia, por causa das dores provocadas pelas contrações, mas não foi atendida. Na sequência, caiu da maca, de barriga no chão. Ouviu da equipe médica que o bebê não nascia porque ela era “fraca” e “não fazia força suficiente”. Em seguida, a enfermeira subiu em cima da gestante para tentar empurrar a criança. “Fiquei sem ar, minha barriga ficou toda roxa”, lembrou. Para tentar evitar que a cena se repetisse durante o parto do quarto filho, no ano passado, a dona de casa entrou na maternidade com um objeto inusitado (e potencialmente letal): uma pistola.
    As informações são da colunista Rita Lisauskas, do jornal O Estado de S. Paulo. No ano passado, já à espera do quarto filho, Paula economizou dinheiro para pagar por uma cirurgia cesariana em um hospital particular. Porém, não juntou o bastante. Motivada pelo desespero, conta a mulher, comprou a arma de fogo, às escondidas. “Eu planejava chegar na maternidade e pedir por uma cesárea. Se não fosse atendida, ia me matar. Sabia que não ia aguentar tudo aquilo de novo”, relembrou. Ao chegar na maternidade, após o rompimento da bolsa, o marido de Paula pediu por uma cesárea ao plantonista. Segundo ela, o companheiro ouviu grosserias de um médico, mesmo após relatar o sofrimento do parto anterior. “O médico disse que quem mandava ali era ele, que paciente não tinha escolha”, narrou. Angustiada, Paula mandou mensagem à mãe, contando que portava uma arma e tiraria a própria vida.
    O advogado de Paula conseguiu que ela aguardasse o julgamento em liberdade. A audiência ocorreu no mês passado. A promotora de Justiça de Itapecerica da Serra, Daniela Dermendjian, pediu a absolvição da dona de casa. A juíza concordou. “Ela contou no depoimento que levou a arma para a maternidade para se matar se os médicos não fizessem a cesárea. A gente entendeu que ela queria se suicidar e suicídio não é crime”, explicou a promotora. Paula está grávida de quatro meses. Espera o quinto filho. Portadora do gene da trombofilia, condição que pode causar o entupimento de vasos sanguíneos, ela não pode tomar anticoncepcional. Batalha por uma nova cesárea e, principalmente, por uma ligadura de trompas. Sabe que tem direito à esterilização por lei, por ter mais de 25 anos e pelo menos dois filhos vivos. Entretanto, ainda demonstra insegurança, por não saber se sua vontade será respeitada. “Ainda não sei se vou conseguir. Já pedi para a médica do posto. Mesmo assim estou apreensiva.” Fonte: Portal Metrópoles.